o teatro de chico no cinema
A obra de Chico Buarque para o palco é mais ampla do que a maioria das pessoas pode supor. Ainda nos anos 1960 ele compôs um tema instrumental e várias canções para Morte e Vida Severina, peça baseada em poema de João Cabral de Melo Neto. A estreia ficou a cargo dos estudantes do Teatro da Universidade Católica de São Paulo – TUCA, em 1965. A trilha original dessa montagem pode ser ouvida neste link (acessado em fevereiro de 2026).
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Morte e Vida Severina no TUCA, 1965
Chico foi autor também de uma trilha instrumental para a montagem de Os Inimigos, de Maxim Górki, dirigida por José Celso Martinez Correa no Teatro Brasileiro de Comédia, em 1966.

Chico e equipe da montagem de Os Inimigos
Roda Viva, crítica contundente à sociedade de consumo e à violência institucional, foi sua primeira incursão completa na dramaturgia teatral. Estreou no Rio de Janeiro em 1968 e se tornou um símbolo da resistência à ditadura. A encenação de Zé Celso atraiu a fúria da censura e do Comando de Caça aos Comunistas, que invadiu o Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, espancou artistas e depredou o cenário.

Chico em ensaio de Roda Viva
Nos anos 1970, adaptou para o português e compôs canções para a peça Os Saltimbancos a partir do original italiano I Musicanti, de Luis Enríquez Bacalov e Sergio Bardotti. Em 1989, fez músicas e letras para a peça Suburbano Coração, de Naum Alves de Souza, por sua vez baseada na música homônima de Chico.
Entre as várias parcerias no teatro, com Ruy Guerra fez a versão das canções da peça O Homem de La Mancha, dirigida por Flávio Rangel em 1972, e escreveu texto e músicas de Calabar – Elogio da Traição (1973), proibida pela censura antes da estreia. Com Paulo Pontes criou o grande sucesso Gota d’Água, inspirado na Medeia de Eurípides. Com Edu Lobo compôs as músicas para as peças Vargas (1983), de Dias Gomes com direção de Flávio Rangel, O Corsário do Rei (1985), de Augusto Boal, e Cambaio (2001), de João Falcão e Adriana Falcão. E ainda para os balés O Grande Circo Místico (1983) e Dança da Meia-Lua (1988), ambos do Balé Teatro Guaíra.
Trato neste capítulo das obras teatrais que chegaram ao cinema: