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o teatro de chico no cinema

Ópera do Malandro

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Chico no cenário do filme

ÓPERA DO MALANDRO

1985. Direção: Ruy Guerra

 

Cinquenta anos depois do original A Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht com músicas de Kurt Weill, a trama chegava aos palcos brasileiros em 1978, transposta do Soho londrino para a Lapa carioca. Mais sete anos se passaram até estrear a versão cinematográfica. Chico Buarque assina o roteiro – junto com Orlando Senna e Ruy Guerra –, assim como os diálogos, músicas e letras dessa adaptação exuberante dirigida pelo velho parceiro de Calabar.

 

No Brasil de Vargas e dos integralistas, anos 1940, os ecos da II Guerra Mundial chegam distantes à Lapa, onde reina o malandro Max Overseas (Edson Celulari). Ele explora a dançarina de cabaré Margot (Elba Ramalho), dá o golpe do baú em Ludmila (Claudia Ohana), filha do alemão dono do cabaré (Fábio Sabag), e vive em disputas com o amigo de infância Tigrão (Ney Latorraca), policial ligado ao Estado Novo.

 

O filme conta com 16 canções de Chico Buarque, algumas criadas especialmente para o cinema. Com poucas exceções, são interpretadas pelos próprios atores e atrizes, além de um coro de vozes. As coreografias de Regina Miranda, recortadas pela montagem brilhante de Mair Tavares e Idê Lacreta, fazem um espetáculo cheio de vida, apesar da ambientação quase sempre noturna.

A Volta do Malandro, número coletivo de Max e os malandros, e Las Muchachas de Copacabana, com Elba Ramalho e coro do Cabaret Hamburgo, são as primeiras a entrar em cena, ambas criadas para o filme. Geni e o Zepelim, apresentando a personagem vivida por J.C.Violla no palco do cabaré, tem apenas sua primeira estrofe, eliminando a história contada pela canção.

 

O Hino da Repressão (a prostitutas e malandros) é defendido por um feroz Ney Latorraca em cena inspirada em filmes de gangster. Numa das sequências mais criativas do filme, Celulari, Latorraca e um dublê contracenam num jogo de espelhos de banheiro enquanto Edson canta Aquela Mulher. A chegada de uma nova prostituta ao cabaré é celebrada com o contundente bolero Viver do Amor, entoado pelo coro feminino à medida que Fichinha (Andréia Dantas) é preparada para o prazer dos clientes.

 

Ludmila entra na história aos acordes de Sentimental, mais uma música criada para o filme, cantada e dançada com graça primaveril por Claudia Ohana. Por sua vez, Wilson Grey, no papel do malandro Sátiro, é dublado por Aquiles (do MPB-4) no Desafio do Malandro, também criado para o filme, em dueto/duelo com Celulari em torno de uma mesa de sinuca.

 

Igualmente composto para a versão cinematográfica, O Último Blues faz o jogo de sedução entre Ludmila e Max numa sequência em que Ruy Guerra reedita, em outra chave, a famosa cena de praia de Os Cafajestes. Cláudia Ohana canta e dança mais uma vez. Depois da aparição de um letreiro do cinema Polytheama (nome do time de futebol de Chico) exibindo Scarface – referência para o estilo do filme –, Elba Ramalho volta à cena para cantar Palavra de Mulher, outra composição especial para as telas. Enquanto Margot garante que vai voltar haja o que houver, vemos atrás dela a palavra Democracia grafada num muro. Era clara a mensagem de esperança na redemocratização do país, processo que engatinhava àquela altura.

 

Mais um dueto/duelo, dessa vez entre Margot e Ludmila na disputa por Max, se dá ao som do beguine O Meu Amor, nas vozes das respectivas atrizes. O papel dos figurinos e os ângulos de câmera inusitados fazem dessa cena um dos momentos mais contagiantes do filme.

 

O Tango do Covil ganha interpretação coletiva quando Max introduz sua noiva Ludmila no covil dos malandros. No papel de Vitória Strüdell, a atriz Maria Silvia acolhe a filha Ludmila no colo e é dublada por Suely Costa no amargo acalanto Uma Canção Desnaturada. Da marchinha Rio 42, composta para o filme, ouve-se apenas a primeira parte quando passa um bloco de carnaval entre gritos contra a Alemanha. 

 

Por fim, ao se despedirem, Margot/Elba e Max/Edson cantam Pedaço de Mim, mais uma das várias obras-primas de Chico presentes na Ópera do Malandro. Uma dupla de bailarinos substitui os atores no pas-de-deux.       

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Primeira página da lista de sequências do filme

(clique para ampliar)

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Planilha de músicas do filme (clique para ampliar)

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