o teatro de chico no cinema
O Grande Circo Místico
O GRANDE CIRCO MÍSTICO
2018. Direção: Cacá Diegues
Do poema de Jorge de Lima à peça-balé de Naum Alves de Souza, daí ao disco de Edu Lobo e Chico Buarque, e finalmente ao filme de Cacá Diegues, O Grande Circo Místico foi ganhando camadas de materialização, mas conservando o essencial: a história de sucessivas gerações de uma família circense e a separação entre corpo e alma, entre a expansividade do espetáculo e a interiorização de conflitos pessoais.
As músicas de Edu Lobo e Chico Buarque definem liricamente cada personagem em cenas visualmente cativantes. Parte delas é apresentada como atrações do circo pelo mestre de cerimônias Celavi (Jesuíta Barbosa), personagem imune à passagem do tempo.
Tiago Abravanel canta A Bela e a Fera, que introduz ao mesmo tempo as várias atrações do circo e a principal delas, a bela atriz e contorcionista Sherazade, na verdade Beatriz (Bruna Linzmeier). Milton Nascimento entoa Beatriz, o sublime tema da moça, com um enxame de borboletas azuis sublinhando o encantamento de todos por ela.
A segunda geração dos Knieps é apresentada através da retraída Charlotte (Marina Provenzzano), que observa e se enamora do mágico Jean-Paul Moreau (Vincent Cassel). A canção Meu Namorado chega na voz de Jonas Sá. A terceira geração fica com a bailarina Clara (Flora Diegues), motivo da Ciranda da Bailarina, dedicada às crianças da plateia. A interpretação é da própria Flora com um coro infantil.
Luiza Mariani dá corpo e voz à personagem Lily Braun, dona do blues A História de Lily Braun, cuja letra é repleta de alusões ao cinema. Ela proporciona a Oto Knieps (Juliano Cazarré) uma noitada de tristeza e drogas. Salmo, interpretada por Monica Salmaso, é ouvida apenas parcialmente como tema da trapezista Margarete (Mariana Ximenes), filha da quarta geração, que quer entregar seu corpo a Cristo.
O clima do filme volta a se arejar com a belíssima dança das gêmeas aladas Maria (Louise Britto) e Helena (Amanda Britto) ao som de O Circo Místico na voz de Zizi Possi. Os créditos finais chegam com Chico e Edu Lobo cantando Na Carreira, ode aos artistas de circo que estão sempre de partida, deixando a pele em cada palco sem olhar pra trás nem dizer adeus.