A Música de Chico no Cinema
MST, Portugal, Baker Street - 1997 A 2001
PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO 1 e 2
1997 e 2015. Direção: Sandra Werneck
Os espectadores das duas versões dessa comédia romântica saíam do cinema ao som da mesma canção: Futuros Amantes. Depois de desfiar, em ordem alfabética, os caminhos e descaminhos da paixão, ambos os filmes terminavam com a profissão de fé na permanência do amor que a música de Chico projeta para o futuro.
A ÁRVORE DE NATAL – curta
1998. Direção: Guga Lemes e Domênico Massareto
Sinopse e trilha sonora desconhecidas. Não consegui acesso ao filme.
OUTRO PAÍS
1999. Direção: Sérgio Tréfaut (Portugal)
Em 1974, alguns dos maiores fotógrafos e cineastas do mundo desembarcaram em Lisboa para recolher imagens da Revolução dos Cravos: Glauber Rocha, Robert Kramer, Thomas Harlan, Pea Holmquist, Santiago Alvarez, Sebastião Salgado, Guy Le Querrec, Dominique Issermann, Jean Gaumy, etc. Todos sonhavam com um mundo diferente. Vinham do Maio de 68, do Vietnã, do Chile de Allende, e viviam a Revolução Portuguesa como um laboratório único de experiências.
Sérgio Tréfaut coletou memórias daquele momento e inseriu as canções “portuguesas” de Chico Buarque no documentário Outro País. Em seguida a cenas de Glauber Rocha entrevistando populares e um soldado em As Armas e o Povo, entra um arquivo de Chico cantando Tanto Mar. Nos créditos finais, ele é ouvido novamente em Fado Tropical, parceria com Ruy Guerra para a peça Calabar, o Elogio da Traição.
O SONHO DE ROSE: DEZ ANOS DEPOIS
2000. Direção: Tetê Moraes
A trilha sonora desse documentário é fruto do engajamento de Chico Buarque com as causas populares. O Sonho de Rose voltava à Fazenda Annoni, no Rio Grande do Sul, para retomar a história de Roseli Seleste Nunes da Silva, mártir da primeira grande ocupação realizada pelo MST e retratada dez anos antes por Tetê Moraes em Terra para Rose.
Tetê pediu a Chico uma canção, e ele compôs Assentamento especialmente para o filme. Inspirou-se nas fotos do livro Terra, de Sebastião Salgado. Segundo a diretora, Chico não cobrou direitos pela música. Seu arranjador, Luiz Carlos Ramos, foi então contratado para criar a trilha incidental, toda ela baseada nos acordes da canção. Chico gravou sua voz para os créditos iniciais e finais, havendo ainda uma versão mais curta a cargo de um coro feminino.
Assentamento voltou a aparecer nos créditos finais do documentário Pau d’Arco, em 2025.
ESTORVO
2000. Direção: Ruy Guerra
Na adaptação do romance de Chico para o cinema (veja em Os livros de Chico no cinema), uma das cenas da personagem Magrinha (Susana Ribeiro), a histriônica “amiga da irmã” do protagonista, é assombrada por uma versão distante, meio fantasmática, de Pedaço de Mim, na interpretação de Elba Ramalho e Edson Celulari para o filme Ópera do Malandro.
ÁGUA E SAL
2001. Direção: Teresa Villaverde (Portugal)
A protagonista do drama Água e Sal é uma fotógrafa em crise conjugal (Galatea Ranzi) numa aldeia do Algarve. Quando o marido viaja por uns dias a Milão, Ana procura experimentar a liberdade da solidão. Em suas andanças pela praia, salva um homem de ser atropelado por um jet ski, e ele passa a cortejá-la. Apenas a sombra e a voz dele aparecem na cena em que Ana come ostras com vinho num bar da orla ao som de O Que Será na interpretação de Oswaldo Montenegro. Como na sua acepção original em Dona Flor e seus Dois Maridos, a canção mais uma vez exprime as pulsões incontroláveis do desejo. A cena e a música são bruscamente interrompidas por uma sequência de forró ibérico.
Chico também participa do elenco desse filme. Veja no capítulo Chico ator de cinema.
AMORES POSSÍVEIS
2001. Direção: Sandra Werneck
Parte da variada trilha musical organizada por João Nabuco, a canção Dueto sonoriza os créditos iniciais e a primeira sequência de Amores Possíveis. Chico gravou com Zizi Possi especialmente para o filme, enquanto a gravação original era dele com Nara Leão.
De certa forma, colocada logo na abertura, a música funciona como uma espécie de spoiler dessa fantasia romântica escrita por Paulo Halm. Após um desencontro amoroso, o filme imagina três versões para o destino de Carlos Eduardo (Murilo Benício): um casamento morno, uma relação gay e uma solteirice desastrosa. Mas, ao final de tudo, quinze anos depois, o reencontro vai corrigir o equívoco inicial, tal como anunciava a canção por todos os meios de profecia: “Serás o meu amor, serás a minha paz”.
O XANGÔ DE BAKER STREET
2001. Direção: Miguel Faria Jr.
A cômica aventura de Sherlock Holmes (Joaquim de Almeida) no Brasil imperial, investigando um serial killer que se revelaria depois como Jack, o Estripador, teve trilha musical de Edu Lobo. Chico Buarque fez a letra de Forrobodó, que apregoa os benefícios do forró para a saúde e a alegria de todos. No contexto do filme, em que atuam ingleses, franceses, italianos e portugueses, o forró é um dos elementos a destacar a cultura brasileira então em formação.
Forrobodó dá as caras pela primeira vez numa performance de palco da atriz Ana Candelária (Thalma de Freitas) com a voz de Monica Salmaso. Nos créditos de encerramento, reaparece em dueto de Edu Lobo e Monica.