chico ator de cinema
Na série Chico, de Roberto de Oliveira, Chico Buarque conta que, quando menino, admirava muito o Actors Studio e pensava que poderia ser ator. Nas vezes em que foi chamado para atuar em alguns filmes, era quase sempre no papel de si próprio ou de alguém assemelhado. Ele reconhece plenamente seu limitado talento para interpretar outras pessoas diante da câmera. "Sou um ator teimoso", admite, rindo. Ainda assim, ou talvez por isso mesmo, sua presença no elenco é sempre uma atração.
É bem provável que a primeira aparição de Chico como ator tenha sido em 1964, em um capítulo da telenovela Prisioneiro de um Sonho, da TV Record, interpretando um cantor de Bossa Nova e apresentando sua composição Tereza Tristeza. Infelizmente, não encontramos registro audiovisual dessa cena. O áudio da canção pode ser ouvido no capítulo A música de Chico no cinema.
É bem provável que a primeira aparição de Chico como ator tenha sido em 1964, em um capítulo da telenovela Prisioneiro de um Sonho, da TV Record, interpretando um cantor de Bossa Nova e apresentando sua composição Tereza Tristeza. Infelizmente, não encontramos registro audiovisual dessa cena. O áudio da canção pode ser ouvido no capítulo A música de Chico no cinema.
É bem provável que a primeira aparição de Chico como ator tenha sido em 1964, em um capítulo da telenovela Prisioneiro de um Sonho, da TV Record, interpretando um cantor de Bossa Nova e apresentando sua composição Tereza Tristeza. Infelizmente, não encontramos registro audiovisual dessa cena. O áudio da canção pode ser ouvido no capítulo A música de Chico no cinema.
GAROTA DE IPANEMA
1967. Direção: Leon Hirszman
No numeroso elenco de atores e músicos, Chico fez sua primeira atuação no cinema, no papel de si próprio. Seu personagem tem um flerte com Márcia (Márcia Rodrigues) e aparece em três momentos. No primeiro, apenas troca sorrisos com Márcia no terraço de uma cobertura e, muito timidamente, ensaia os primeiros acordes de Garota de Ipanema numa flauta.
No segundo, canta o seu Chorinho ao violão. Por fim, Em sua terceira aparição, Chico está dançando com Márcia o hit Sunny na boate Le Bateau. Em seguida, depois de algumas doses de whisky, os dois dividem uma mesa em curto diálogo de bêbados.
Veja as cenas musicais desse filme, com canções de Chico, no capítulo A música de Chico no cinema.
QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
1972. Direção: Cacá Diegues
Chico participou do argumento (com Cacá e Hugo Carvana), atuou e compôs sete canções para essa pós-chanchada que, de certa forma, antecipou ingredientes de Bye Bye Brasil.
No papel de Paulo, Chico interpreta, canta e dança. Paulo é um compositor assediado pelas companheiras de trupe, entre as quais Mimi (Nara Leão), que está apaixonada por ele. Mas o rapaz tem uma queda por Virgínia (Ana Maria Magalhães), que não participa do grupo. O empresário Lourival (Hugo Carvana) se esfalfa para manter a turma unida com vistas ao show da Festa do Rei no Carnaval.
Tímido diante da câmera, Chico está sempre a ponto de rir, seja qual for a cena. Nos números musicais, agita o corpo em coreografias ingênuas ou em cenas puramente lúdicas. Consta que ele foi chamado para fazer as canções, mas passou a opinar sobre o argumento e acabou como ator. Nos intervalos da filmagem, era o encarregado de organizar as peladas.
Veja também outras cenas musicais desse filme em A música de Chico no cinema.
VAI TRABALHAR, VAGABUNDO II – A VOLTA
1991. Direção: Hugo Carvana
Um dos amigos do protagonista Secundino Meirelles (Hugo Carvana) a comparecer a seu falso enterro é anunciado como “o maior sambista brasileiro”: Julinho da Adelaide, pseudônimo adotado por Chico Buarque para driblar a censura. Chico/Julinho chega atrasado, afobado, com camisa de malandro, trazendo uma garrafa de pinga para depositar no túmulo do amigo. Logo a turma começa a cantar Vai Trabalhar, Vagabundo, tornando a cena uma espécie de homenagem ao compositor.
O MANDARIM
1995. Direçao: Julio Bressane
Nesse ensaio de ficção musical, Bressane traça uma genealogia experimental da música popular brasileira, de Villa-Lobos a Caetano Veloso, centrada na figura inovadora de Mário Reis, considerado um predecessor da Bossa Nova. Numa trama complexa de representações intertextuais, o violonista Raphael Rebello aparece como Villa-Lobos, Gilberto Gil faz o papel do sambista Sinhô, Gal Costa é associada a Carmen Miranda, Edu Lobo encarna Tom Jobim, Caetano Veloso entra em cena como ele mesmo enviado por Lamartine Babo, e Chico Buarque se apresenta como Noel Rosa.
As interpretações se cruzam, com Gal cantando Morena dos Olhos d’Água, de Chico, e Edu entoando Choro Bandido, parceria sua com Chico. Veja essas duas cenas no capítulo A música de Chico no cinema. Em outro momento, ouvimos A Banda, de Chico, na voz de Mario Reis.
A participação de Chico reforça sua reputação de herdeiro de Noel Rosa. Mario Reis seria a ponte entre os dois. Para sublinhar a simbiose entre intérprete e personagem, Chico aparece cantando Provei e Filosofia, de Noel. Ele contracena com Fernando Eiras, que faz o papel de Mário Reis, e com Giulia Gam, que vive uma jovem estudante de Medicina com quem ele troca tórridos beijos. A moça teria passado pela vida de Mario e de Noel.
Num flash rápido, Chico é visto improvisando uma melodia para um certo Hino da Marata. Sobre isso, passo a palavra a Sérgio Augusto em artigo da Folha de S. Paulo de 1995: “Invenção de um tal de Siqueira, compositor bissexto e obscuro, mais conhecido como ‘Menino Jesus’, da patota do Mário e Noel. Com eles, costumava flanar do Flamengo ao Leblon, jogando conversa fora e cheirando cocaína. Cismou, de uma feita, que a maratona merecia um hino. Fez a letra (‘Como é belo ver os astros lá no céu / a rebolir-se’ etc.) para Noel, que não compôs a música. Se não fosse o Chico, o ‘Hino da Marata’ estaria sem música até hoje.”
Em outro trecho, Noel/Chico cita fragmentos do poema Para uma Versão do I Ching, de Jorge Luís Borges, entre outros aforismos. Silvia Buarque se lembra do pai ensaiando suas falas com Marieta Severo na mesa de jantar. Ela o instruía quanto às pausas necessárias.
ED MORT
1997. Direção: Alain Fresnot
O anti-herói criado por Luís Fernando Veríssimo está metido numa trama que envolve crianças sequestradas, mulheres fatais e salsichas com coliformes fecais. Chico vive um dos vários disfarces assumidos pelo “Silva”, personagem procurado por Ed Mort (Paulo Betti). Além de Chico Buarque, os disfarces incluem Zé do Caixão, Gilberto Gil, Luiza Tomé e Cauby Peixoto. Todos dublados por José Rubens Chachá.
Chico tem uma de suas mais extensas participações especiais, dando autógrafos, simulando jogar sinuca e dialogando com Paulo Betti. Ele também assina como um dos produtores associados. Em outra cena do filme, o “Silva” de Cauby Peixoto canta trecho de Bastidores, de Chico (veja em Chico diegético).
ÁGUA E SAL
2001. Direção: Teresa Villaverde (Portugal)
Chico faz o papel de um amante sem nome que surge do nada na casa de Ana (Galatea Ranzi), a protagonista em crise conjugal numa vila do Algarve. Ele bate à sua porta, com ar gentil troca algumas poucas palavras com ela, abraçam-se e não se fala mais nele. Ana lê o livro Perto do Coração Selvagem, de Clarice Lispector.
A presença de Chico nesse filme se deve à admiração da diretora pelo artista. “O meu trabalho é mais influenciado pelo Chico que pela obra de qualquer cineasta", declarou. Ela teve dificuldade em convencê-lo a aceitar o convite. "Primeiro mandei-lhe um argumento. (...) Leu, e, pelo que me disseram — porque nunca falei com o Chico —, gostou muito. Mas disse que não, que não podia. Estava quase a começar a filmar quando recebi uma mensagem da pessoa intermediária que me dava a entender que devia insistir."
A sequência com o amante de Ana foi rodada em duas noites e sem anunciar a presença de Chico no local. Segundo Villaverde, ele "chegava, ia-se embora e ninguém o chateava. Eu dizia-lhe: ‘Filma só uma noite’. Ele dizia: ‘Tem de ser duas, porque se fizer tudo mal na primeira, quero poder repetir na segunda’". Ele conta que ficou impressionado com a atriz Galatea Ranzi, que durante uma cena de velório chorava copiosamente de um olho só.
A trilha musical do filme inclui uma versão de O Que Será (veja no capítulo A música de Chico no cinema).
BUDAPESTE
2009. Direção: Walter Carvalho
Chico faz uma rápida aparição intertextual numa das últimas cenas do filme, no papel de um fã de José Costa que pede (em húngaro!) um autógrafo no livro Budapeste. Veja mais sobre a intertextualidade nessa adaptação no capítulo Os livros de Chico no cinema.
CHICO NARRADOR
TOM JOBIM – ÁGUAS DE MARÇO
2007. Direção: Roberto de Oliveira
Mais improvável do que ator, Chico surge como narrador desse DVD dedicado aos temas da Natureza e da ecologia na música de Tom Jobim. Uma sucessão de performances musicais de Tom foram extraídas de shows históricos em várias épocas. Na introdução e na metade do programa, a voz de Chico em off lê dois textos do “maestro soberano”. O primeiro, sobre as dívidas da sua obra para com “as árvores, a montanha, o mar, a costa, os pássaros e, naturalmente, a mulher brasileira, que faz parte da ecologia. É um animal natural, como o homem”. O segundo, sobre seu amor pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
A dicção não é das melhores. Chico “engole” o final de algumas frases e não parece preocupado em “interpretar” o texto. Faz uma leitura branca, com poucas variações de inflexão. Em seguida ao segundo texto, ele entra no palco de um show para cantar Sabiá com Tom e um coro feminino.