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o cinema nos livros de chico
Bambino a Roma

2024

As memórias fellinianas de Chico em Bambino a Roma, disfarçadas de ficção, são fartas em referências ao cinema. Desde simples comparações como essa, referente ao pai do coleguinha Archie: “mais alto que o meu pai, era a cara do Gary Cooper no filme High Noon.”, até a já célebre dança do garoto “Francesco” com a atriz Alida Valli sem saber quem era ela: “Então a mãe do Carlo se levantou, me convidou para dançar, e ali estava eu enlaçando sua cintura, fingindo conduzir e sendo conduzido por ela nos passos da valsa. Dançamos Hi-Lili, Hi-Lo até o fim, eu da altura dos seus seios, respirando seu perfume, imaginando um milhão de coisas, mas mantendo uma distância respeitosa entre nossos corpos.

 

Alida Valli confessava-se fã de Carmen Miranda, dizia que ouvira maravilhas do Rio pelo seu amigo Orson Welles e ainda cantarolava No Tabuleiro da Baiana. Voltaria a ser mencionada como amante do compositor de trilhas sonoras Piero Piccioni, acusado de homicídio culposo pela morte da jovem Wilma Montesi numa orgia de drogas da alta sociedade romana. O escândalo seria usado como pano de fundo dos filmes A Doce Vida, de Federico Fellini, e A Aventura, de Michelangelo Antonioni.

  

No nevoeiro entre memória e invenção, Chico recorda-se das sessões do cinema Rex, em Roma, com filmes italianos, westerns e longas sobre a II Guerra Mundial. Descreve em detalhes deliciosos uma sessão de O Cangaceiro, de Lima Barreto, naquela sala. Em outro momento, conta como, devido à pouca idade, teve de se contentar do lado de fora do cinema onde levavam um certo filme com Martine Carol, “a atriz mais limpa de Paris porque tomava banho em todos os seus filmes”. Leia esses dois trechos em O cinema na vida de Chico.

 

O capítulo 9 de Bambino a Roma começa com uma “sequência” que poderia estar num filme de Fellini. A visão do papa Pio XII numa sala de audiências do Vaticano ganha colorações que se assemelham ao clímax do desfile de moda eclesiástica em Roma de Fellini:

Alida Valli_edited.jpg

Alida Valli

Bambino - o papa.jpg

Não mais que de repente, Chico se recorda do “mambo que um rádio tocava no filme Roma, Cidade Aberta, em louvor às mulheres de Copacabana:

 

Laggiù a Capo Cabana

A Capo Cabana

La donna è regina

La donna è sovrana” 

No filme, porém, ouve-se a segunda parte, com letra diferente:

"Laggiù, a Capo Cabana / a Capo Cabana, le notti di luna, la donna che t'ama, / ti bacia, ti prende, t'accende, ti stringe, t'infiamma d'amore così / Laggiù, a Capo Cabana.  / A Capo Cabana ti rubano il cuor! / A Capo Cabana si vive l'amor!"

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