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a vida de chico no cinema
Chico - a Série

2005/2006. Direção: Roberto de Oliveira

Série exibida pela DirectTV e posteriormente lançada em 12 DVDs temáticos sobre o universo de Chico Buarque,  tendo por base entrevistas, shows, bastidores e caminhadas de Chico por várias cidades do mundo. A série incorpora cenas de arquivo de diversas épocas, muitas delas de gravações produzidas pelo próprio Roberto de Oliveira. 

1 – Meu Caro Amigo

O Rio de Janeiro é o cenário principal. Chico fala de seu deslumbramento com a cidade e das caminhadas “a serviço”, para buscar inspiração. Caminha pela orla da Zona Sul e no Centro até a Biblioteca Nacional. Percorre uma exposição sobre ele. O tema do episódio são as parcerias, que ele comenta, uma por uma: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Francis Hime, Edu Lobo, Toquinho e Ivan Lins. Cita as peculiaridade de “letrar” as músicas dos outros. Recorda-se da letra que não conseguiu fazer para Astor Piazzolla. Canta divertidamente com Dorival Caymmi na beira de uma praia, entre outros números musicais com Miúcha, Djavan, Gal Costa, Francis, Edu e Tom. Todos esses aparecem na performance coletiva de Paratodos.  

 

2 – À Flor da Pele

Em Paris, de capa e chapéu, Chico fala um pouco da sua vie parisienne e reflete sobre sua curiosidade pelo pensamento das mulheres, refletida nas canções que compõe no feminino. A primeira teria sido Com Açúcar, com Afeto, composta a pedido de Nara Leão. Relembra toda uma tradição da música brasileira nesse sentido. Revela-se um voyeur do corpo e da alma das mulheres, tendo a França e o cinema francês na origem disso. Critica o feminismo radical que não compreendeu a ironia contida em Mulheres de Atenas. Entre as canções interpretadas, todas sobre mulheres, destacam-se dois belos duetos com Caetano Veloso e Milton Nascimento.

 

3 – Vai Passar

De Roma, Chico relembra histórias do exílio naquela cidade e dos anos de chumbo no Brasil. “A ditadura encheu muito o meu saco, mas eu também enchi o saco deles”, afirma. Conta como driblava a censura nas letras e usando o pseudônimo Julinho da Adelaide. O foco do episódio está nas canções de temática política e social. Chico fala da Revolução dos Cravos, de suas viagens a Cuba, da campanha pelas Diretas Já e do apoio ao PT e à candidatura de Lula. Diz rejeitar símbolos de poder e que nunca entrou na embaixada brasileira em Roma. Premonitoriamente, manifesta temor de que um novo governo autoritário chegasse ao poder pelo voto no futuro. Tem um encontro com o parceiro e tradutor Sergio Bardotti, e fala muito italiano, inclusive numa entrevista à rádio.  

 

4 – Anos Dourados

Chico divide o protagonismo desse episódio com Tom Jobim, seu “maestro soberano”. Relembra como ouvia suas músicas no início da carreira e as futuras parcerias. Os dois aparecem em conversas descontraídas sobre assuntos diversos: Bossa Nova, rock, fama, passarinhos. Tom admite que tinha “ciúme amoroso” das canções que Chico compunha com Edu Lobo. Cantam juntos em sessão de estúdio com Paula e Jacques Morelenbaum. No Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Chico recorda o interesse de Tom pela mata, os passarinhos e os diversos tipos de sabiá. Sua camisa, inspirada num quadro de Antonio Peticov, é decorada com pássaros multicores.     

 

5 – Estação Derradeira

O mangueirense roxo se encontra com grandes ícones da Estação Primeira. Afora uma conversa e cantorias com Hermínio Belo de Carvalho e Nelson Sargento nas ruas da Lapa, Chico não fala muito nesse episódio, que é mais um recital. Divide palcos com a Velha Guarda da Mangueira e outros grandes sambistas ligados à escola. Canta sambas antigos e exalta a qualidade de poetas populares como Cartola e Ismael Silva. Lamenta a lacuna de uma parceria frustrada com Cartola. Fazer samba, para Chico, é um pouco como voltar às origens de sua apreciação musical. Na apoteose do episódio, vemos o desfile campeão da escola em 1998 com o tema “Chico Buarque da Mangueira”

 

6 – Bastidores

A produção para teatro e balés é o tema do episódio. Chico comenta com Edu Lobo as criações conjuntas, e os dois cantam várias canções acompanhados de Cristóvão Bastos ao piano. Relembra o processo de criação para espetáculos como Roda Viva, Calabar (e suas histórias de censura), Gota d’Água e Ópera do Malandro. Em Nancy (França), revisita o Teatro da Ópera Lorraine, onde estreou Morte e Vida Severina, que lhe rendeu um trabalho árduo para botar música nos versos de João Cabral de Mello Neto. São mostrados alguns trechos musicais de peças e dois belos duetos com Zizi Possi e Nara Leão. Ao falar de suas sugestões de canções para as peças, Chico solta uma frase aguda: “A maioria dos diretores de teatro não entende nada de música”. 

 

7 – Romance

Chico faz uma genealogia das canções de amor em suas várias modalidades, incluindo os “piropos” (galanteios). Cantarola várias antigas e afirma que esse tipo de música requer certa ingenuidade que pode se perder com o tempo. “Nas canções, digo coisas que não diria a seco, mas a música ajuda”. Fala do aprendizado com Vinicius de Moraes e elege Everytime We Say Goodbye como a mais bela do mundo. Aparece caminhando por bonitos trechos de Paris, onde se veem muitos casais de namorados. Entre os números musicais de várias épocas, faz duetos com Daniela Mercury e Paula Toller.   

 

8 – O Futebol

O Polytheama, invicto havia 26 anos, domina esse episódio, naturalmente. Chico canta o hino que fez para o time e ali no campo bate bola com o ídolo Pagão e recebe Pelé, com quem canta junto Preconceito, de Wilson Batista e Marino Pinto. Chico aparece em jogos no seu campo e também em Lisboa, Budapeste e contra os veteranos do Santos na Vila Belmiro. Caminha em Barcelona e encontra-se com Ronaldinho Gaúcho. Visita o Maracanã e evoca a derrota do Brasil para o Uruguai em 1950. Canta músicas futebolísticas na Confeitaria Colombo. Está particularmente descontraído e divertido ao comentar sua admiração pelo Santos, apesar de torcer pelo Fluminense, e ao falar das peladas e de aspectos diversos do futebol, sem deixar de elogiar os dribles que humilham o adversário. Conta que, antes da música, queria ser jogador.    

 

9 – Uma Palavra

Lisboa e Budapeste são os cenários por onde Chico caminha e fala sobre a língua portuguesa, sobre como lida com as palavras entre construção laboriosa e imprevisto, sobre as diferenças entre o escritor e o letrista na hora da criação. Apesar disso, admite que sua literatura deve muito à música. Diz ter poucos amigos na área literária. Em Budapeste para conhecer a cidade só depois de ter escrito o romance homônimo, fala do confronto entre literatura e realidade. Os poucos números musicais ilustram canções baseadas em enumerações e jogos de palavras, dando margem a que ele explique – coisa rara – as letras de algumas delas.

 

10 – Cinema

Chico caminha por Paraty e comenta sobre sua relação com o cinema. A cinefilia de infância, levado pela babá, com citações a Sansão e Dalila, Alta Sociedade (High Society) e Férias de Amor (Picnic). Conta que, quando menino, se ligava muito no Actors Studio e pensava que poderia ser ator. Quando foi chamado para atuar em alguns filmes, em geral era no papel de si próprio ou de alguém assemelhado. Diz que compõe para filmes com a intenção de que o público saia do cinema com alguma música na cabeça. Tece curtas considerações sobre os filmes mais famosos para os quais compôs canções, algumas delas interpretadas em cenas de arquivo.   

 

11 – Saltimbancos

Canções infantis, sobre crianças ou inspiradas por crianças estão reunidas nesse episódio. Na velha cidade italiana de Calcata, Chico se encontra com Sérgio Bardotti para recordar a parceria na criação da peça Os Saltimbancos. Aparecem cenas da montagem com a Cia. 4 na Trilha, de uma performance infantil com Miúcha e as meninas Silvia Buarque e Bebel Gilberto, e do filme Os Saltimbancos Trapalhões. Chico relembra coisas da infância - a babá Benedita (com quem teve a primeira consciência das injustiças do mundo), sua convivência com os irmãos e irmãs, o período passado em Roma. Caminha nos jardins da Villa Borghese e brinca com crianças no Auditório Ibirapuera. Por fim, faz uma longa peroração sobre genealogia e racismo no Brasil.     

 

12 – Roda Viva

Retrato do artista quando moço. Chico revisita a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP e remonta a episódios da juventude em São Paulo: o estudo de Arquitetura, os bares, o roubo de carros e uma consequente prisão aos 17 anos, as primeiras composições de imitação da Bossa Nova até a virada com Pedro Pedreiro. Comenta o impacto do golpe de 1964 e principalmente o pós-AI-5. O episódio se estende com as gravações de programas musicais da TV Record e os festivais da canção da década de 1960: A Banda (comentada divertidamente por Chico e Nara 16 anos depois), Roda Viva, Benvinda e a vaia estrondosa para Sabiá.   

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