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a vida de chico no cinema
1968 a 1990

CHICO, RETRATO EM BRANCO E PRETO

1968. Direção: Flávio Moreira da Costa

 

Chico interpreta Carolina ao violão na primeira cena desse primeiro documentário feito sobre ele, um registro singelo de opiniões e performances dirigido pelo escritor Flávio Moreira da Costa, também cineasta bissexto. Mais adiante, canta Até Segunda-feira. Em show no Teatro Opinião, vemos Cynara e Cybele cantando Januária na Janela acompanhadas pelo violão de Baden Powell.

 

Chico se diz espantado com “a substituição dos heróis pelos ídolos da televisão” e admite que é um destes. Enumera suas influências: Dorival Caymmi, Ataulfo Alves, Ismael Silva e a Bossa Nova de João Gilberto, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. A propósito de o chamarem de “novo Noel Rosa”, ele diz que sempre houve “novos Noel Rosa”: Billy Blanco, Juca Chaves e outros que ainda viriam. Fala da liberdade que tem para explorar as possibilidades do samba: “Só acho errado dizer que o samba limita”. Reafirma a influência de músicas estrangeiras na música brasileira. Cita os influxos do jazz na Bossa nova, da música portuguesa na modinha brasileira e da África no samba.

 

O curta de 11 minutos é pontuado por trechos da peça Roda Viva encenada no Teatro Princesa Isabel, com Marieta Severo, Antonio Pedro e Paulo César Pereio nos papéis principais. O filme foi exibido em vários festivais nacionais e internacionais, como Brasília, Mérida (Venezuela) e Pádova (Itália).

MPB ESPECIAL

1973. TV Cultura. Direção: Fernando Faro

 

Em closes e supercloses, fumando como uma chaminé, cigarro Hollywood preso entre os dedos mínimo e anelar, sozinho com banquinho e violão contra o fundo preto, Chico responde às perguntas de um entrevistador invisível e inaudível. Às vezes, pouco mais que balbucia. Canta informalmente trechos de canções, interrompendo porque se esqueceu das harmonias. Fala de Calabar, das parcerias com Vinicius de Moraes, do time Polytheama e orgulhosamente do gol de bicicleta que fez. Conta uma história engraçada de um show em Patos de Minas e comenta seu jeitão de compor.

 

Disponível neste link (acessado em março de 2026).

 

Este foi o segundo de três programas Ensaio realizados pela TV Cultura com Chico Buarque. O primeiro foi em 1971, disponível aqui (acessado em março de 2026), mas com pouca documentação além dos números musicais. O terceiro foi em 1994 e está abordado no próximo módulo com o título de Chico ao Longo dos Anos.

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SIEMBRO VIENTO EN MI CIUDAD (Semeio Vento na Minha Cidade)

1978. Cuba. Direção: Fernando Pérez

 

Documentário de curta metragem sobre Chico Buarque em Cuba na década de 1970. Ele aparece em shows, acompanhado por um coro com sotaque, jogando bola e dizendo que queria introduzir o futebol em Cuba. “Não gostei dessa mania de jogar beisebol aqui”, critica, brincalhão.

 

Com a camisa do time, fala para a câmera sobre sua trajetória até então: a absorção dos artistas e da arte de resistência pelo consumo e a televisão, o golpe de 1964, a criação da peça Roda Viva, a censura, o fascismo instalado no Brasil após 1968, o exílio. Afirma que o artista precisa conciliar o prazer da criação com a consciência social.

 

Fernando Pérez introduz muitas fotografias com o intuito de compor um painel crítico dos contrastes entre, de um lado, a beleza do Rio de Janeiro, a opulência de São Paulo, a euforia do Carnaval e a sensualidade das mulheres; e de outro, imagens da miséria popular e do colonialismo cultural na publicidade. Um Brasil “para americano ver”. Um pouco na linha dos agit props de Santiago Alvarez, o filme se apoia no discurso de Chico para fazer a crítica do imperialismo.

 

Em cena ou em off, são ouvidas diversas canções de Chico, mas não Bom Conselho, de onde é tirado o título do filme.

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CERTAS PALAVRAS COM CHICO BUARQUE

1980. Direção: Mauricio Beru

 

Produzido por Thomaz Farkas e dirigido pelo argentino Mauricio Beru, esse primeiro documentário de longa metragem sobre Chico Buarque tem sua assinatura no roteiro, junto com o diretor. O approach é autobiográfico. Chico fala do pai e relata momentos de sua carreira até então. Ao citar brevemente referências cinematográficas, menciona Barravento, Deus e o Diabo na Terra do Sol  e “filmes do Nelson Pereira dos Santos”.

 

A autobiografia é embalada pela performance de diversas canções (ou trechos de canções) pelo próprio Chico ou por outros intérpretes. Ele canta Samba e Amor com Caetano Veloso, Meu Caro Amigo e Dueto com Francis Hime, e ouve embevecido Maria Bethania entoar Olhos nos Olhos. A conversa descontraída com a cantora depois da música é um dos grandes momentos do filme.

 

Aparecem ainda com destaque Vinicius de Moraes, Toquinho e Cida Moreira. Outras sequências peculiares mostram Chico encaçapando bolas na sinuca; tomando banho no vestuário depois de um jogo de futebol; cantando trecho de uma música satírica sobre “o presidente sem pescoço” (Castelo Branco); criticando a noção de progresso à brasileira que desfigura as cidades; e discorrendo sobre as afinidades entre o Brasil e Cuba, descobertas numa então recente viagem à ilha.       

 

Populares são interpelados na rua sobre a música de Chico. Várias canções dão margem a clipes com imagens do povo na cidade, em construções civis e zonas de prostituição.

 

Disponível neste link (acessado em março de 2026).

CHICO OU O PAÍS DA DELICADEZA PERDIDA

1990. Direção: Walter Salles e Nelson Motta

 

Nesse especial de média metragem coproduzido pela TV francesa FR3 (atual France 3), um show de Chico Buarque na Fundição Progresso se alterna com um video-ensaio sobre os contrastes sociais do Rio de Janeiro. As discrepâncias se referem também aos tempos: os anos 1960, quando se iniciava a carreira de Chico e ainda predominavam os sinais de uma cidade gentil ao ritmo da Bossa Nova, e a realidade violenta do final dos anos 1980. Cenas dos documentários Rio de Memórias, de José Inácio Parente, e Uma Avenida Chamada Brasil, de Octavio Bezerra, ilustram esse choque entre a delicadeza e a brutalidade.

 

No texto escrito por João Moreira Salles (não creditado), Chico é apresentado como o cantor dessas duas facetas de um país que já foi tido pelos seus povos originários como “a terra sem mal”. Os números musicais em cores, com canções inteiras, são entremeados por imagens em preto e branco do Rio: montanhas, favelas, crianças abandonadas na miséria ou sorridentes e sambantes na alegria da inocência. O ator Paulo José faz a locução de um texto misto de lirismo e lamento.

 

Nas suas poucas interações diretas com a câmera, Chico fala da Bossa Nova, do conceito de homem cordial cunhado por seu pai, Sérgio Buarque de Hollanda, e faz uma sucinta análise sociológica do Rio de Janeiro de então. A autoria de uma curta imagem de Marieta Severo com a bebê Silvia nos braços é atribuída ao próprio Chico.

 

Do show participam também, além da banda, Gal Costa e Gilberto Gil. Algumas trilhas para cinema são incluídas, com direito a cenas dos filmes Joanna Francesa, Eu te Amo e Bye Bye Brasil.

 

Disponível neste link (acessado em março de 2026).      

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