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a vida de chico no cinema
1994 a 2003

CHICO AO LONGO DOS ANOS

1994. TV Cultura. Programa Ensaio. Direção: Fernando Faro

 

Um extenso relato autobiográfico é pontuado por um show especialmente gravado para o programa. Com o violão em punho, Chico cantarola algumas canções e relembra fases de sua vida: a infância com futebol na rua e cantoria com os irmãos em casa; a pouca intimidade com o pai, Sérgio Buarque de Hollanda (“meu pai era um som da máquina de escrever”); as duas estadas na Itália; as primeiras leituras de russos e franceses; o curso da FAU, lembrado mais pela cachaça e as músicas no grêmio; as primeiras “musiquinhas”, os primeiros shows precários, a mudança com a Bossa Nova e o sucesso de A Banda; a prisão por um dia em 1969 e as dificuldades do exílio na Itália; lembranças de Marçal e Cyro Monteiro; e por fim o futebol no Polytheama.

 

Disponível neste link (acessado em março de 2026). 

CHICO E AS CIDADES

2000. Direção: José Henrique Fonseca

 

Entre um e outro número do show As Cidades, Chico aparece caminhando e discorrendo em praia carioca e nos becos da Mangueira. Inclui cenas do show em Buenos Aires (1999), onde fãs argentinos cantarolam trechos de suas músicas. Chico aparece também em conversas com Maria Bethânia (sobre a visão de discos voadores), Oscar Niemeyer (no MAC de Niterói) e Tostão (no campo do Polytheama). Na Mangueira, canta com Jamelão e com a Velha Guarda da escola. Discursa, ainda, em louvor ao baterista Wilson das Neves na cerimônia em que este recebeu a Medalha Pedro Ernesto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

 

Nas suas falas para a câmera, Chico trata do hábito de fazer caminhadas criativas, das parcerias com Tom Jobim e Vinicius de Moraes, das suas oscilações entre a música e a literatura (“o que eu gosto mesmo é de escrever” e “eu me vejo mais na literatura”), do desejo de futebol na juventude, de quando foi “chofer de Garrincha” na Itália. Ele é visto também jogando no Polytheama com a camiseta 9 Amarcord (referência ao patrocínio de um restaurante carioca) e lendo pequenos trechos de Estorvo e Benjamin.

 

Disponível neste link (acessado em março de 2026).  

Camiseta Amarcord 2.jpg

RAÍZES DO BRASIL – UMA CINEBIOGRAFIA DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA

2003. Direção: Nelson Pereira dos Santos

 

Nesse documentário sobre Sérgio Buarque de Holanda, Chico participa com um depoimento bem-humorado sobre o pai e a inserção das canções Paratodos e Apesar de Você na trilha sonora, além do clipe de A Banda no Festival de MPB da TV Record de 1966.

 

Raízes do Brasil, primeiro longa-metragem inteiramente documental de Nelson Pereira dos Santos, divide-se em duas partes. A primeira é uma espécie de sarau familiar, transbordante de amor pelo biografado. As histórias da intimidade do “papyotto” (como seus netos o chamavam) desfilam ao sabor das memórias de cada um, minimamente organizadas pela montagem em função de um roteiro sentimental. Dali sai o perfil do intelectual imerso nos livros, amante de um bom baseado, um tanto voyeur, supersticioso, um boêmio de pijamas... Ou, no dizer do amigo Antonio Candido, “um erudito inclinado à molecagem”.

 

Antonio Candido e Paulo Vanzolini são os únicos “intrusos” nesse típico assunto de família. O primeiro ato começa e termina com grandes reuniões familiares, que de alguma maneira sintetizam o método do documentário: a alternância e a continuidade dos depoimentos entre essas duas extremidades estendem virtualmente a atmosfera de encontro. O “elenco” é de sonho para qualquer documentarista. O carisma de “Serjão” (1902-1982), que não é menor na viúva Maria Amélia, encontra eco nos filhos Chico, Cristina, Ana, Miúcha, Sérgio, Maria do Carmo e Álvaro. E ressoa nos netos Silvia, Zeca e Bebel Gilberto. Cada qual tem uma recordação curiosa, uma dedicatória especial na folha de rosto de um livro (em alguns casos, feitas antes mesmo do nascimento).

 

Na segunda parte, os fatos da vida pública de Sérgio são enumerados com base numa cronologia deixada por ele próprio, a pedido de Francisco de Assis Barbosa. A neta Silvia Buarque e o sobrinho-neto Zeca Buarque Ferreira dividem a leitura da cronologia e de trechos de Raízes do Brasil

 

No seu depoimento, Chico recorda a casa de paredes recobertas com estantes, o pai sempre escrevendo ou lendo no seu escritório - que o filho só se sentiu à vontade para frequentar depois que ele próprio começou a escrever. Segundo Chico, na casa não se falava dos livros do pai, mas dos alheios. Um Dicionário Analógico e de Ideias Afins foi um presente paterno que o marcou. Chico afirma que tinha um certo medo das broncas do pai, e só na Itália desfrutou de uma visão mais arejada de Sérgio. Discorre, ainda, sobre a amizade da família com Vinicius de Moraes. 

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