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o cinema na música de chico
Janela - Tela
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As referências à visualidade são muito frequentes nas canções de Chico Buarque. Olha-se muito em suas músicas. Mas nesse intenso jogo de olhares, quero destacar aqui a figura da janela, arquétipo da tela cinematográfica, muito associada às personagens femininas na obra buarqueana.

 

Essa imagem da mulher à janela já foi interpretada como o lugar da mulher que observa o mundo mas não interfere nele. Seria um espaço de contemplação e, ao mesmo tempo, de limitação para a mulher.  

 

A moça feia debruçou na janela pensando que A Banda tocava pra ela.

Januária é homenageada por toda a gente enquanto passa o tempo à sua janela.

Carolina, a de olhos fundos e tristes, não viu o tempo passar na janela.

A Moça da Janela, personagem rezadeira de Morte e Vida Severina, conta ao retirante Severino como sobrevive do ofício de “ajudar a morte” no sertão.  

 

Em Ela e sua Janela, a moça fica por ali enquanto o marido está por aí, bebendo.

Foi por sambar bem diante da janela de Maria que Juca foi autuado em flagrante como meliante.

A moça de A Noiva da Cidade é descuidada a ponto de dormir com a janela escancarada.

Por fim, em Essa Moça tá Diferente, Chico confessa que “essa é a tal da janela / que eu me cansei de cantar”.

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